Os meus dias.

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Na vida há todo o tipo de dias. Dias bons e menos bons, pautados por momentos intensos.

Na vida temos cruzamentos, entroncamentos, rotundas, e algumas (raras) rectas, sempre com a responsabilidade de optar, de decidir, e renegar todas as outras hipóteses ou alternativas. Algumas vezes (raríssimas) ainda nos é permitido fazer uma marcha atrás, mas na maior parte das ocasiões já é demasiado tarde.

Felizmente tenho no ADN a tatuagem da não desistência.

Também a minha vida, é feita de questões, incertezas e opções diárias.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam não tenho tido um percurso facilitado. Sou uma privilegiada nas coisas mais simples e importantes, mas nunca na minha vida recebi algo sem ser com muito trabalho.

Por vezes tenho vontade de vos mostrar a outra Raquel, a que não está sempre atenta ao escrutínio constante.

Aquela a que o público não tem acesso.

Quero, hoje, deixar aqui o testemunho que também eu tive tantas vezes em que acreditei, que falhei, desiludi-me, estive doente, chorei. Mas até hoje, nunca desisti.

Não desisto do que considero ser a minha razão de existir, as minhas crenças, princípios e valores, que a minha querida mãe me transmitiu. Não desisto de acreditar nas pessoas, nas boas intenções, e num mundo melhor. Não desisto de aprender todos os dias. De transformar, de realizar, de querer e crer.

Porém também sou assaltada por pensamentos talvez mais “adultos”. Também neste percurso existem tantas outras coisas que já não merecem a minha atenção e outras que infelizmente tive de me confrontar “contra a parede” para entender que a realidade é muito mais fria, incolor, sem cheiro, e que não nos deixa grandes alternativas.

E pior, com a verdadeira percepção e consciência de que a parede estava mesmo ali à frente e se aproximava de mim a uma velocidade excessiva. Olhámo-nos, mas mesmo assim não me preparei para o embate.

Mas volto a frisar, não desisti. Com ou sem feridas, levanto-me e aprendo com isso.

Esta é uma parte de mim, a tal tatuagem que me percorre o corpo.

E há um certo conforto e orgulho quando a tenacidade nos impede de desistir.

É assim, um dia de cada vez e amanhã espero cá estar com a mesma determinação. 😉

5 Comments
  1. “Na vida há todo o tipo de dias. Dias bons e menos bons, pautados por momentos intensos.” Uau, parabéns teve uma epifania………

    1. Antes isso… que apenas constactar as epifanias dos outros, para tentar mostrar um grau de elevação e inteligência que raramente lá mora.
      Vejo o texto como uma partilha generosa e educada… uma forma de Humanidade.
      Sei que hoje a Humanidade e tudo o que ela representa está em crise, dá-se mais valor ao cuspir atributos, mostrar irreverência, ser “muito à frente e para a frentex”, etc…
      Pois eu gosto mais de constatações que merecem ser recordadas, pois muita gente parece ter esquecido.
      Obrigado Raquel, o que está no texto parece simples e até o podia ser… mas também ficou comprovado que até isso mexe com certos iluminados. Enfim, mais uma humorista que recorre à sátira para dizer que existe, que está atenta e “diz perta”.

      1. Raquel…Gostei muito do seu texto e como disse o seu marido,mostra uma partilha generosa e educada.A Maria deve ser infelizmente uma coitadinha….
        Raquel,continue assim….genuína e humana.Não tenho paciência para estas”Marias”.

    2. Aliás Maria…
      Imagine a mesma frase (que considera, agora, uma epifania), num cartoon do Charlie Hebdo.
      Consegue fazer esse exercício?
      Agora imagine que esse cartoon tinha sido publicado no dia antes do atentado. Consegue imaginar?
      Calculo que iria adjectivar da mesma forma na sua publicação…
      E no dia a seguir, como adjectivava???

  2. I agree with Mr. Murillo, Ms. Prates’ post was beautifully personal and very raw. We all need a moment to reflect – she shared hers. Don’t tare it apart. If you have something to add, enlighten us. We can all choose to look at writings such as this to encourage us on those tough cold winter days (or days that feel cold and dark), or we can choose to turn something beautiful into something ugly, or mock it. The latter is a bit sad.

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