BLACK is such a happy COLOR, darling!

Hail Color! by Dino Alves

 

E o Dino Alves, finalmente, resolveu deixar de ser invejoso! 😉

Normalmente sou mais “polida” , mas este assunto exige um grau de honestidade que nem sempre me consinto.

Desde muito nova que convivo com alguns dos grandes artistas contemporâneos, tenho mesmo o privilégio de ser sua amiga e até cúmplice… e num caso particular até sua mulher. Talvez por isso tenha a capacidade de entender coisas que nem sempre são explicitas, como a dialéctica que existe em todos eles entre o que consideram o sagrado e o seu próprio ego.

Para qualquer artista/criador a dificuldade está em receber, por mais que tenhamos dificuldade em entender o pressuposto, pois o conceito de dádiva, partilha ou oferta, todos encaram como a sua obrigação, mais ainda, o seu desígnio.

Adorei a colecção do Dino, entendi (quase) tudo!

Acho que o Dino resolveu, finalmente, encontrar uma celebração digna do seu trajecto profissional e só quem priva com o Dino sabe as dores e as delicias que o fizeram chegar até aqui… coisas que só se podem entender quando se conhece a honestidade e a pureza de um criador.

Para ele criar é dar!

Volto a repetir. Para o Dino é uma dificuldade extrema conceber tudo o que faz se não for com o propósito de oferecer. Alguns seres Humanos acham que têm a obrigação de oferecer a toda a hora e que receber é uma espécie de martírio para o qual nunca estão preparados.

Pela primeira vez o Dino resolveu dar a oportunidade de sermos nós os protagonistas da forma de apresentar o seu trabalho, nunca dissociada da sua formação em artes plásticas.

Desta vez fomos todos nós a sua performance, os que entenderam e até os que não entenderam. Fomos a moldura que ele teve coragem de pedir que fossemos.

Foi, talvez, a colecção que mais gostei… cuidada, madura, eclética, fundamentada e “wearable”.

Foi feita para todos com uma dedicação e empenho própria de quem gosta tanto de nós. O clique, a performance, a vertente espectacular a que o Dino nos habituou… também fomos nós.

Fomos a moldura negra de mais um quadro que o Dino resolveu pintar, e tudo funcionou como num carrossel de emoções.

Muitos não entenderam a mensagem, mas para eles o Dino ofereceu gelados e bebidas no fim.

Com o tempo vamos todos perceber que finalmente ele nos permitiu retribuir, activamente, neste marco da sua carreira. Quando isso acontecer vamo-nos sentir todos cúmplices de alguém que nos merece e que sem dúvida também merecemos… mais ainda, precisamos!!!

Black in your hands … almost looks white!

Obrigada Dino.

 

Imagens de Ruy Coelho

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