Liberdade de expressão X Notoriedade pública. Existem regras?

 

 

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Tenho consciência de que estamos a falar de uma linha muito ténue, que devia ser pautada pelo bom senso, mas que nem todos percebem quais são as fronteiras.

Sempre considerei que somos responsáveis pelos nossos actos ou palavras. A realidade é, na grande maioria das vezes, muito diferente do embrulho televisivo que algumas pessoas que trabalham no meio têm, que pretendem transmitir, ou ainda a que são sujeitas.

Hoje o princípio parece não ter limites, mas desenganem-se porque eles existem, pelo menos para mim.

Ao dar um testemunho ou entrevista estou à mercê das críticas, positivas ou negativas. E aceito essa regra.

Não aceito quando as pessoas que pelo facto de terem uma opinião, diferente ou não da minha, ou de outra pessoa, passem para a ofensa e agressão gratuita. Se julgam que existem dois pesos e duas medidas estão enganados.

No final do dia somos SÓ pessoas.

Com dias mais ou menos bons. Com delícias e amarguras.

Somos, todos. de carne e osso.

Pelo facto de existir alguma exposição pública (devido ao trabalho realizado), parece oferecer a tão desejada liberdade de expressão, uma autorização e legitimação para enxovalhar desmedidamente, e em caso de alguma dúvida podem sempre retorquir é “por seres conhecida e por isso eu posso dizer o que me apetece sobre ti”.

É claro que este comportamento e os insultos, em si, revelam sempre mais sobre quem os profere que sobre os seus visados, e só demonstram a pobreza de espírito de que os seus autores padecem. E curiosamente num exercício fugaz, rapidamente se expõem muitos mais dos que as chamadas “figuras públicas”. Temo que há nesta argumentação responsáveis em vários sectores da nossa sociedade, mas a verdade é que estes “alienados” nem reflectem sobre o seu próprio argumento, pois o mesmo cai por terra quando também eles escrevem “publicamente”.

Não são muitas as vezes que me sinto um “alvo”, mas por vezes também me acontece. Ser objecto de ódios sem perceber sequer a motivação ou argumentação, mas convicta que muito dificilmente é real, provoca em mim uma verdadeira sensação de injustiça.

Se sou imune? Não. Porque me preocupo com o que me rodeia.

Se dou importância para escrever sobre isto? A suficiente para acentuar a diferenciação entre a crítica fundamentada que é construtiva e o azedume de quem cospe palavras de ódio sobre alguém que não conhece. Acima de tudo, de manifestar a minha total incompreensão e capacidade de entendimento destes comportamentos.

Como vi escrito ainda hoje “às vezes temos que fazer magia para sobreviver a tudo o que nos rodeia”

 

Raquel

 

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