A FRIDA.

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Frida Kahlo é conhecida, felizmente, por quase, todos nós.

Há pessoas que fazem da vida e história, um exemplo, por tantas razões quantas aquelas a que se entregaram.

Frida viveu.

Frida sofreu (mais que a maioria dos que por cá passam).

Frida amou viver.

Frida tratou das feridas com a nobreza do seu ser.

Frida amou, pintou e respeitou de tal forma a sua identidade que escolheu, dentro das limitações, toda a sua vida. Inclusive o que vestia, o que sempre vestiu desde da mais tenra idade.

Na pintura tornou-se um ícone, quer pela sua relação inteligente e sub-repticiamente estreita e intrínseca com os fundamentos do movimento “Dáda” e “surrealista”, quer pela sua interpretação da estética dos grandes muralistas Mexicanos. Um dos maiores foi o seu amor e marido “Diego Rivera”. Destaca-se pelos auto retratos, pela relação consigo mesma e pelas limitações de saúde que sempre estiveram presentes na sua vida, uma poliomielite na infância e um acidente de viação quase fatal quando tinha 18 anos. Desenvolve os seus auto retratos sobretudo pelo tempo que passou só, confinada a uma cama.

Frida dominava o medo de conhecer a sua beleza que, ao espelho, e sempre entre pincéis estudava ao ínfimo detalhe. Não brincava quando dizia, entre cigarros e aguardente, que era o assunto que conhecia melhor. O assunto que era ela ou só dela.

Para mim, Frida é uma referência na história das artes, na vida e na expressão nova de comunicar que usava de forma artística . Uma referência e até uma diva. Era livre nas escolhas e no seu posicionamento político. Era comunista assumida, mas curiosamente com uma acção profundamente popular e com uma convivência cultural e histórica ímpar, refiro o tempo em Trotsky viveu em sua casa, com ela e com o seu marido Diego Rivera, há quem especule, que também Trotsky se enamorou da sua força, antes de ser assassinado por um dos seus seguidores.

A sua única prisão eram os espartilhos que encolhiam o seu corpo. O corpo que vivia deformado numa bela mulher que não precisava dos pés: “Pés? Porque preciso deles, se eu tenho asas para voar?”.

Frida foi considerada como um ícone de beleza no México. Como um culto quase de Fridamania, principalmente depois de sua aparição na Vogue Americana.

Única no seu estilo e confortável na própria pele. Só. Ela. Sem vergonhas, até porque as suas estratégias de sobrevivente tinham sempre patente um lado de provocação. A monocelha, o bigode, e as sua axilas intocáveis demonstravam explicitamente que não tinha vontade de viver em conformidade com as normas sociais de beleza. Estávamos nos anos 30, as sobrancelhas das mulheres da época eram rigorosamente magras e delineadas a lápis.

Em contraste … as suas que eram abundantes, desarrumadas, com vontade própria, livres. O mesmo nas vestes, os vestidos curvilíneos e o cabelo apanhado e certinho típicos da época, o oposto do estilo de Frida.

Rompeu as convenções na moda da época. Usava blusas tradicionais indígenas mexicanas e acessórios populares mexicanos. Os acessórios eram muitos e de ouro e prata, tranças de cabelo extraordinárias e decoradas com flores frescas. Fazia a selecção e importava têxteis da Europa como a seda ou o algodão, para criar o seu próprio tecido, especialmente para as longas saias. E claro o mais importante: a personalidade que mostrava na forma de ser e estar.

Usava batom e unhas pintadas de vermelho, e no seu bairro, diziam que deixavaum corredor de perfume de rosas quando passava.

As sua opcções, pensadas antecipadamente ou não, de uma mulher que inspirou o mundo. Uma mulher que se pintava nas telas e não só. Bisexual e profundamente sedutora. Uma mulher que abriu mentalidades, caminhos, criando novas imagens de beleza. Sem complexos, mas com o cofre carregado de mistérios. Até hoje. Sempre e Só.

Frida marcou mais o nosso mundo que as marcas todas que a vida lhe infligiu.

A Frida.

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