O que é o amor? De Vieira da Silva e Arpad Szenes.

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Já tanto se escreveu sobre Maria Helena Vieira Da Silva, que ponderei muito antes de escrever este post.

Não me vou debruçar sobre a sua pintura, a sua biografia, a importância que ela teve no mundo das artes, pois sobre todos esses temas há, felizmente, muita informação que está disponível para todos nós.

Vou escrever sobre uma mulher que admiro e sobre uma pequena história contado por um amigo comum, Mário Cesariny.

É uma história de amor.

Todas as histórias de amor são tão ricas que dão para escrever romances.

Todas as histórias de amor são sublimadas e esta em particular alimentou o imaginário de todos os amantes da arte e do amor.

Vieira Da Silva apaixonou-se por Arpad Szenes, casaram e tiveram uma cumplicidade tão grande, que até nas suas obras se sente, pelos detalhes, as pequena coisas, os diálogos em sussurro.

Há até quem considere que Arpad se anulou por causa dela, de forma a proteger de uma forma que só eles entendiam. O que sinto é que se amaram muito, e que esse amor permitiu que as suas artes o transpareçam, por vezes sem filtros.

Quando resolvemos falar sobre o amor de alguém e contar uma história, toda as pessoas temem um enorme volume de palavras. Não é o caso.

Mário Cesariny privou com eles em Paris e tornou-se seu amigo.

Com eles partilhou muitas experiências e em particular com Vieira Da Silva trocou muita correspondência. O Mário tinha um enorme carinho por ambos e adorava a forma como Maria Helena o tratava por Mário “le chat”.

A história que convosco quero partilhar, ouvi da boca do Mário e arrebatou o meu coração.

Foi um breve dialogo que terá acontecido em Paris, na casa de Maria Helena e Arpad, no número 34 da Rua de l’Abbé Carton, no XIV bairro da cidade, entre o Mário e o Arpad. É curta, tão curta e simples como só os grandes amores se permitem transmitir.

O Mário, ao verificar que a suposta cama do casal era afinal uma cama de solteiro, terá perguntado a Arpad qual a razão de terem uma cama tão pequena.

Arpad terá respondido:

“Porque assim temos a certeza que adormecemos e acordamos juntinhos.”.

Um gesto, uma decisão, uma forma de vida, tão simples que deixou para sempre o Mário maravilhado. O que ele considerava misteriosa esta situação, e para ele a adjectivação superlativa de algo deslumbrante era… misterioso.

O Mário nunca se esqueceu desta história, encontrou nela motivos para o seu encantamento. Tal como eu. Pois também eu passei a ter uma resposta válida e simples para uma das perguntas mais difíceis desta vida.

“O que é o amor? Uma cama pequena onde se adormece e acorda, com a certeza que se está sempre junto.”

Obrigada à Maria Helena, ao Arpad e ao Mário, por tudo, e por ser(em) tanto…

 

 

Raquel

 

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