Violência entre mulheres: A sofisticação dos ataques é sempre feita de forma a que ninguém repare.

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Atenção: Não quero generalizar, não ando à procura de um padrão, ou norma. Este texto só se refere ao que observo, ao que toca a mim e a algumas pessoas que me são próximas, diz portanto respeito a um núcleo de vivência, onde habito tantas vezes.

Quero também salientar que não é exercício de queixume, é uma constatação que me obriga a uma reflexão e a esta partilha.

Pensar e partilhar reflexões é um acto de amor próprio e também pelos outros, tem é que ser assinado e genuíno, o resultado está conseguido à partida, pois só depende de mim. O que vier a seguir, será da responsabilidade de quem o ler, pode vir na forma de bónus… ou ónus, mas mesmo que não venha, eu sei que irá existir.

Muito se fala sobre a violência, e bem, mas não conheço forma mais invulgar, e galopante, do que as mulheres que exercem violência (a maioria das vezes velada) sobre outras mulheres.

Digo velada porque é ardilosa e não proporciona muitas hipóteses de argumentação ou defesa. A quem nos vamos lamentar? Ficamos logo com a sensação de que vamos ser mal interpretadas e por isso o silêncio e as dúvidas apoderam-se da nossa intenção de revelar o que se passa.

A sofisticação dos ataques é sempre feita de forma a que ninguém repare. Ninguém pode estar preparado para isto, e mesmo que esteja, a sociedade não está.

É verdade que existem poucos códigos de honra entre as mulheres, infelizmente. Algo que contradiz, e muito, princípios básicos que norteiam a maioria dos homens que conhecemos. Um aspecto que prejudicam as mulheres até numa perspectiva sociológica. Talvez por isso, eu enquanto defensora de igualdade de direitos e obrigações, acho que as causas femininas deviam começar a ser resolvidas na forma como as mulheres se relacionam entre elas, é o primeiro e talvez mais importante passo que temos que dar.

A história é pródiga em traições que fizeram cair impérios, por causa de uma mulher. E é aqui que quero chegar… esqueçam as bullies adolescentes. Estamos perante uma nova geração de mulheres em que a sacanice tem contornos muito mais complexos.

Fazer queixa por abusos no local de trabalho sobre a nossa colega superior?

Já estou a imaginar a forma primária com que aquelas palavras vão ser recebidas: Estás a dizer isso porquê? Não há aí uma pontinha de inveja?

Voltamos para o nosso posto de trabalho com a denúncia feita e um talão na testa de mesquinhas e invejosas. E agora é guerra aberta! Ela soube e ainda tem mais motivos para me fazer a vidinha negra. Vai ser ainda mais simpática e solicita em momentos públicos, de preferência, quando a administração está presente.

Atenção: este exemplo adapta-se perfeitamente a um novo membro da família de amigos, que nos sussurra ao ouvido o quanto nos odeia. De seguida solta uma gargalhada e se alguém questionar eram só “coisas de mulheres!”. De repente sou “amiga” de alguém que me quer destruir perante a plateia de testemunhas dos que me rodeiam e que cujos sinais exteriores jogam a favor da sua causa.

Os contornos de intimidação de uma mulher contra alguém são preparados estrategicamente, com requintes de malvadez, e estes são só alguns exemplos. Têm a capacidade de esperar o tempo que acham necessário (podem ser anos), montar o cenário, e escolher os intervenientes. Só quando perdem o controle (ex: noitada de copos) é que podem escorregar na sua própria crueldade.

Adiante… há vários patamares, mas sem soluções visíveis ou pacíficas.

Há algumas pistas que temos de estar muito atentas e parecem que nos remetem para os bancos da escola: traições ao revelar “coisas” que são só “nossas”, fofocas, tomar partidos em relações que nos foram penosas, mensagens no FB dúbias e olhares ambíguos para o nosso namorado/marido, tentativas de humilhação públicas, o uso excessivo da reiterada frontalidade vestida de agressividade, a componente humorística da lima das unhas guardada na liga, questionar repetidamente as nossas decisões pessoais e profissionais, e até os nossos valores e princípios … a mim já me aconteceu trocarem os textos para eu me espalhar num directo em TV, já para não falar nas vezes que fui excluída de antena só por ser quem sou, por existir… E até acelerarem o carro na minha direcção. Numa mulher vale tudo.

Dizem que o mote para tanto ódio é a inveja. Mas eu também acrescentaria falta de auto-estima, de vida própria, não resisto a incluir a expressão “falta de peso”, desconhecimento e falta de jeito para a bricolage ou outro passatempo, e até demasiado tempo livre.

Acima de tudo… Falta de amor, de paz e felicidade.

Pouco espelho e muito veneno.

Falta delas próprias.

E assim vão continuar … feias, muito feias, e tristes, muito tristes… Aos meus olhos.

Raquel


 

Nota: A título de curiosidade aqui ficam os dados segundo o estudo inglês My Voucher Codes.

 

O estudo revela que 74% das mulheres afirmam ter o sentimento de inveja em relação às amigas.

 A aparência das colegas/amigas vem em primeiro lugar, com 88% a referir que se incomodam com o visual ou corpo das outras mulheres. A segunda razão que se destaca é o dinheiro, apontada por 79% das entrevistadas. O assunto que normalmente é associado ao comportamento masculino também afeta a relação entre amigas.

Na sequência, uma amiga mais inteligente causa inveja em 65% das mulheres e um emprego melhor, em 61% das pesquisadas. Os relacionamentos também causam desconforto em 52% delas e 48% ficam incomodadas se o guarda-roupa das amigas for melhor do que os delas.

P.S. O estudo continua e cada dado é mais surpreendente que o outro, mas a mim já me basta… Já me cansa, como tive oportunidade de explicar.

 

 

2 Comments
  1. Tens razão em tudo o dizes.
    Às vezes, e em tom de brincadeira, digo que se alguma vez quiser fazer mal a alguém tenho de pedir ajuda a uma mulher, porque conseguem levar a crueldade ao patamar de arte.
    E quando falas da igualdade entre géneros, tens outra vez razão: as mulheres só vão ser verdadeiramente iguais quando conseguirem ser como um homem a resolver um problema, porrada+copos+esquecimento; quando conseguem se sentir sexy’s com o corpo que tem, como um homem gordo e careca consegue, é tudo uma questão de atitude.
    Parabéns pelo texto. Ainda não está nada pedido 😉

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