Resumidamente estou ferida.

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O que aconteceu nos últimos dias ultrapassou, muito e de que maneira, qualquer questão política. Isso deixou lesões profundas, sociais mas não só.

Nunca percebi, entendi, ou assimilei radicalismos, mas tenho assistido a vários e até de pessoas com as quais nutria sentimentos positivos.

Ontem e hoje sentei – me na cadeira do carrocel das emoções e na realidade ainda não sei bem o que sinto. Um misto de estupefacção, tristeza, desabrigo, desilusão, maltrato. Resumidamente estou ferida.

Já não me movo por impulsos, ou como diria Mário Cesariny já não sou “uma carruagem de propulsão a hálito”, embora continue com a sensação de carruagem e a zelar pelas palavras que se soltam no hálito.

De ontem para hoje não foi só o governo que caiu, com ele caiu a minha esperança no comportamento Humano e honroso de algumas figuras menos públicas e outras públicas. Fui inundada por um sentimento de incapacidade, uma inaptidão para parar o histerismo colectivo que surgia no meu computador, de direitas e de esquerdas. Consciente que a identidade e que a ilusão só me levou a uma desilusão pessoal enorme!

Eu li insultos, ódio, provocações desnecessárias, promoção à violência física e verbal. Radicalismo, racismo, extremismo, tudo em prol de uma necessidade de arautos ou da constatação da sua inexistência. Um fervor militante que só demonstrou o quando queremos viver, e vivemos, fora de nós, fora da vontade e constatação que somos todos só pessoas.

Se inicialmente senti indignação e um sensação, errática, de que já só me posso surpreender pela positiva, o que mais me afligiu é que senti medo. Verdade, tive medo. De pessoas que conheço, que julgava conhecer, pessoas que estava na disposição de entregar o meu tempo à sua necessidade de um abraço, pessoas que também eram minhas. Achava eu.

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