A destrinça entre um galanteio e uma provocação porca.

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Parece que é inevitável (quase) tudo se transformar em algo profundamente ridículo em Portugal.

O timing do “Piropo” e os comentários do meu FB, só me dão a sensação de que estou a ver um programa de entretenimento fútil numa TV. Mais ainda me questiono quais serão as verdadeiras motivações e a oportunidade do tema?

Primeiro porque o piropo não é para aqui chamado … ou talvez até seja, a fronteira é ténue e mais uma vez sou só eu a responsável por aquilo que digo e não pela forma que é entendida. A nova redacção do artigo 170º do Código Penal chama-lhe de Crime de Importunação Sexual “Quem importunar outra pessoa, praticando perante ela actos de carácter exibicionista, formulando propostas de teor sexual ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.”

A partir daqui a falta de discernimento é um verdadeiro petisco para usar e abusar desta lei.

A adolescência é período frágil em que num mundo em que tudo já por si é muito, imaginem multiplicar isso por 1000, com a ajuda da comunicação social de prime-time a dizer que o typical “Oh Faneca!” dá direito a prisão.

Depois, vamos fazer de conta que não existe TPM ou o Tensão Pré- Menstrual (sintomas comuns: ansiedade, irritabilidade, agressividade, dor de cabeça, cansaço, inchaços devido a retenção de líquidos, depressão, vontade de chorar, dificuldade de concentração), e um ex com a nova namorada linda de morrer a atravessar a estrada.

Percebem o que eu quero dizer de “petisco”?

As variáveis são tantas para esta lei que em pouco tempo consigo prever o descalabro que vai acontecer, e atenção que defendo que tanto os homens como as mulheres não podem estar à mercê de assédios. De qualquer tipo.

O que posso dizer desta lei, é que me parece uma forma de reeducar um povo, que perdeu o juízo na sua totalidade, e coloca nas mãos de qualquer pessoa (bem ou mal intencionada) fazer o juízo e a destrinça entre um galanteio e uma provocação porca. Já agora onde fica o insulto? Cada vez mais frequente e adjectivado como frontalidade. E os concursos dos mais Sexys? E os editoriais de moda com menores versão Lolita? E a publicidade de algumas das maiores marcas do mundo? Uffffff que canseira.

Também eu fui assediada. Na escola, na rua, e no trabalho. Perdi oportunidades profissionais por não permitir certo tipo de comportamentos. Já chamei à atenção um agente da autoridade (curioso não é?) em adolescente. Já fugi de um senhor que vestia uma gabardine sem nada por baixo. Já senti olhares mais provocadores do que palavras. E guess what?

Sobrevivi.

Não posso dizer o mesmo se tiver o azar de precisar de ajuda médica urgente e especializada ao fim de semana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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