Da série PensantesasPalavras

15135899_10205546702867173_7176472077567183883_n

Tenho um segredo para ti

Quero desaprender a fala

Não tenho essa aptidão, a da escolha das palavras

E tenho medo.

…um dia contaste-me que desaprender é difícil

Há caminhos que contudo não se esquecem

E voltei á minha velha morada, aquela sem nome

Foi só seguir a minha licença, a da sombra dos meus aguados passos

Asseguro-te que descobri o mesmo espaço apertado

E como o animal que tem o corpo em lascas para se enrolar

Voltei a sentar-me no canto da sala

Fui embora sem bilhete, perdi a data de volta,

Nesta noite de águas forçadas e cigarros apagados sem sopro

Danço entrelaçada em lençóis costurados pelos vértices dos nossos silêncios

Perdoa.

Se a vontade de espreitar pela janela é pouca ou me deixei cegar pela sobrevivência

Coloquei-lhe tapume para violar a curiosidade

Apesar de todas as lições, entendo que reprovei

Gosto de viver no meu som, sem descodificar o dos outros

Apesar da pouca percepção… eu gosto da minha outra casa de sangue rafeiro

Onde brinco. Em compartimentos.

O jogo dos mendigos, da falsa liberdade oferecida em embrulhos de cores de tesouro.

Decorado com os meus caprichos de dia mater

Lá eu percebo,

é o meu sítio.

Raquel Prates

 

Imagem de Carlos Ramos

No Comments Yet

Leave a Reply

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>