Aquele dedo apontado da professora.

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Todas as manhãs tenho o mesmo hábito, enquanto preparo o pequeno almoço ligo a TV para me fazer companhia. Nisto reparei na forma “peculiar” da voz da apresentadora e até forma de falar. Era instantânea e estava definitivamente a seguir um guião sem alma.

Da cozinha espreitei para a sala, e lembrei-me de uma história de há muitos anos.

Quando aprendi a ler, na minha altura, existiam os ditados.

Cada aluno lia 2 ou 3 parágrafos, e quando chegava a minha vez, ficava muito ansiosa, isto porque tive uma professora que me repreendia sucessivamente à frente de todos os colegas.

Eu dizia todas as palavras correctamente, o problema, segundo ela… é que eu “cantava a ler”. Este era o termo que a “stôra” utilizava.

Pior! Notoriamente, em toda a turma era a única que cantava.

Esta manhã lembrei-me novamente destes momentos.

Reflecti … e passados 21 anos a fazer locuções e a trabalhar em TV e Rádio, é razoável pensar que este meu cantar não pode ser tão negativo.

Lembrei-me também que na altura a minha mãe era professora de Português ( e quem me ensinou realmente a ler ). Será que aquele embirração era um despique com a minha mãe e ultrapassava-me completamente?

Não sei. Mas lembro-me muitas vezes daquela professora e a forma furiosa com que me apontava o dedo.

Hoje, tenho 41 anos, e criei uma carreira baseada num “erro sucessivo” na escola. O que pretendo sublinhar é que não se deve desistir, mesmo quando há alguém que não aprecie, não é suposto agradar a todos.

Façam-no, melhorem, apliquem-se, é o que realmente interessa.

Ah … e já agora sempre com alma!  😉

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