Casa na árvore (série pensantesaspalavras)

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Pensei que neste dia a terra estaria diferente,

que a poderia moldar e emoldurar para um dia sem reflexo.

Em qualquer imagem ia-se fornecendo.

Sem anúncio e acarinhada no colo da mãe corvo.

Pensei que neste dia estaria diferente,

o mundo não iria correr pelos meus pés.

Os meus tormentos secariam nesta terra.

Quis imortal como o tesouro que a criança protege,

de brilhos baços pelas impressões digitais e

de imperfeições dos satisfeitos momentos.

Improvável.

O nosso tosco sorriso impresso,

em terra.

Honesto, aberto, amaciado, descascado, floral.

Este dia, pensei, seria assim.

Mas, a terra não formou,

os meus questionáveis gostos.

Cuspida pela ignorância das águas,

a verdade que se perdeu a boiar num oceano.

Sem abafo refugiei-me no teu quarto.

Quiseste que também a casa da árvore,

suspensa em retalhos de madeira,

fosse para mim.

Neste dia que a terra me traiu,

mendiguei-te.

Andei pendurada no teu fôlego.

 

Raquel Prates

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