Série pensantesaspalavras

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Dizem que estamos preparados para tudo.

Uma treta. Adaptamo-nos porque tem de ser assim.

Achamos que estamos preparados, e depois as palavras têm o som que não queríamos sentir.

Uma espécie de peta zetas amargas explodem no céu da boca, os braços e as pernas inertes, o coração sobe à testa, o cardeal sem pontos perde o sol da manhã, gritos mudos consomem o teu peito, a dor que reconheces, sentes crueza e algum frio.

E as palavras repetem-se vezes sem conta, em qualquer lugar, objecto, situação, imagem.

Tudo era. A esperança.

Os lugares, os objectos, as situações e as imagens.

E agora? Recorres. Percorres-te.

E encontras sempre algo onde te agarrar, onde ficas pendurado, num baloiço,

Empurras com os pés porque há coisas que não se esquecem. E medes os peso das palavras, para trás e para a frente, de olhos encerrados.

É cansativo ser – me.

Raquel

Imagem de Andy Dyo

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