“Era uma vez”… É uma vez! O mundo de Gabrielle. O Mundo de Coco. O Mundo de Chanel.

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Os bons convites, surgem sempre de uma forma que parece informal. Vêm de pessoas que nos querem bem, uma coisa intima, como se fosse um jantar. Este chegou da mesma forma, suavemente, e foi feito por parte da Chanel Internacional. Solicitaram o meu número de telefone porque queriam falar comigo pessoalmente.

Após o telefonema, acabei por cair em mim. Era a primeira vez que era feito, foi feito a mim e… claro que era irrecusável.

Assistir ao desfile Haute Couture da Chanel na Fashion Week em Paris e ao lançamento mundial do novo perfume Gabrielle, numa festa privada, é algo que não acontece todos os dias. Mas felizmente, aconteceu, e eu agradeço.

 

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Cheguei na noite anterior ao desfile, com apenas 4 horas de sono. Fiquei no maravilhoso Hotel Plaza e após um, breve, descanso saí para o desfile marcado para as 10 da manhã (hora local).

Grand Palais, segurança máxima. Pouca confusão, e essa pouca era ordeira, sintomático quando algo é organizado ao ínfimo detalhe. Os convidados, os fotógrafos, tudo organizado para capturar a melhor imagem de street-style. Não há poses, nem photo call, procuram imagens descontraídas, seguidas de vários agradecimentos pela disponibilidade.

Confesso que comecei a sentir alguma ansiedade, quando entrei no Grand Palais, o motivo principal era uma gigante Torre Eiffel, com fumo a sair no topo. Criada de raiz para o efeito. Tudo é pensado, estruturado, concebido ao mais pequeno pormenor, como se fossemos viajar num romantismo descritivo que oscila entre a narrativa de Marguerite Yourcenar e Dostoiévski, Milan Kundera com um cheirinho de Patrick Süskind. A iluminação, as ventoinhas, as câmaras, a disposição dos convidados para que a visibilidade seja perfeita. Não há filas, nem primeira nem segunda, nem nenhuma. São só duzentos convidados, escolhidos, acarinhados e tratados da mesma forma, e o espaço é idílico, respiras Paris em todo o seu esplendor. Em todos os recantos dos mais enérgicos imaginários. É Chanel. É Coco Chanel e um hino à Gabrielle e à casa mãe.

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São feitas as apresentações oficiais, aproxima-se de mim a directora geral, e com um sorriso diz-me:

“- Bom dia Raquel, gostaria de agradecer ter aceite o nosso convite, conheço o seu percurso e pela primeira vez é um orgulho ter uma mulher portuguesa, que represente os ideais da marca Chanel. Sabe Raquel, somos todas mulheres com força, interventivas na sociedade, que não desistem apesar do que é imposto. Agimos de forma subtil, mas não tememos mudar o Mundo que nos rodeia. Somos assertivas. Deve ser por isso que muitos consideram que há uma estética que nos torna únicas.”

Pois! Tenho que confessar que há palavras que se tatuam na nossa pele. Quase tive dificuldade em encarar o seu olhar doce e determinado. Os olhos, esses mesmo, os olhos… Por vezes têm a força que quase nos arranca uma lágrima. Agradeci com um sorriso, mas as palavras pareciam presas (desculpem se gosto desta imagem das presas, coisas da nossa língua).

E não pensem que me esqueci, por instante, que eram apenas 200 convidados.

Enquanto me acompanhavam, ao meu lugar, com o nome escrito com deferência e à mão, pensei na minha vida. Defendo os balanços diários, tanto como estes momentos que nos remetem para um flashback quase cinematográfico. Parece tempo a tentar não passar, uma das melhores formas de ver que ele passou.

Verdade é que ali parou, ainda que por longos segundos.

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A música começa, e Chanel por Karl Lagerfeld é definitivamente aquilo que senti à chegada, uma homenagem à cidade de Paris, uma espécie de retrospectiva sobre o que o designer de 83 anos é capaz de fazer e fidelizar, sem perder as referências estruturais da marca.

Enquanto decorre o desfile a atmosfera é um imaginário criado para sentir a essência Chanel. Os materiais, as texturas, o esplendor da beleza nos tecidos e cortes irrepreensíveis. Os casacos emblemáticos em tweed com as saias em look total. Depois a desconstrução do tweed com flores e cristais, vestidos com brilho metálico e franjas, outros com saias cheias, em forma de sino (parecia que eu estava a adivinhar ahahahahahah), boleros e algumas referências barrocas na versão noite. Para terminar a noiva, com uma baínha em arco que se movia de uma forma mais lenta e teatral. Sonhadora e imponente.

Sentia-se liberdade. Devo confessar que senti uma coisa ainda maior que isso. Creio ter sentido o que alguém privado de liberdade pode sentir quando ela chega.

 

 

 

De seguida, e para recuperar das emoções ao rubro, estava preparado um espaço especial no jardim do hotel Ritz (onde viveu Coco Chanel), e inicia-se a viagem pelo universo Gabrielle (com um cocktail com o mesmo nome, pelas 11 e meia da manhã!!). Após um almoço e uma visita rápida a uma pop-up Chanel era momento de voltar ao hotel.

 

E agora sim, vamos entrar no universo mais irreverente, o lançamento de Gabrielle, após 15 anos do último perfume feminino: o Chance.

Apenas uma nota: já eu estava preparada para a tão esperada festa, quando me perdi no hotel, felizmente que me cruzei com um simpático rapaz que estava com um segurança, que me indicou o caminho certo para o elevador. Fica o registo que sou um E.T, o rapaz era o Pharrell Williams!! :/ E que é muito simpático e sorridente!! :)

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A mulher antes da icónica Coco Chanel (Gabrielle Bonheur Chanel). A mulher livre e sedutora que viveu intensamente. Provocadora e irreverente, vestiu fatos masculinos, fundou a sua própria empresa e desafiou todos os cânones da época em que viveu, sem perder o lado mais feminino. Gabrielle nasceu em 1883, mas podia ser uma mulher dos dias de hoje, independente e com a premissa de que o “luxo é aquilo que não vês”.

A composição floral demonstra o seu lado mais intimista, tal como o frasco em cristal sem artifícios, puro e luminoso. Uma extensão da sua personalidade menos conhecida.

Uma mistura entre Jasmim, Ylang-Ylang e flores de laranjeira, com o mistério imposto pelo sândalo.

A apresentação que aconteceu no Palais de Tokyo era composta por várias fases sensoriais.

Ao entrar, um labirinto de espelhos, que questiona todas as tuas perspectivas com diferenciação de colorações de luz, num “dégradé” entre o claro e o escuro. É um duelo com a tua imagem transmitida de várias formas e obriga-nos a uma reflexão sobre a mesma. O exterior e o interior.

Depois o olfacto, com pequenas janelas, onde podíamos usufruir das essências sem misturas, e que de alguma forma nos remetiam a momentos da nossa vida. As memorias associadas aos cheiros.

Um mini-filme em 3D numa sala totalmente negra revela uma pouco da história, e finalmente a apresentação oficial do frasco, em tons que variam entre o prata e o ouro muito luminoso.

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Finalmente a festa com a presença de apenas 800 pessoas cuidadosamente seleccionadas a nível mundial. O momento de descontracção e celebração de um dia exacerbado de sensações.

Com um concerto privado de Pharrell Williams (era segredo!!ahahahah), que puxou para o palco a Katy Perry. Numa espécie de “get together” cruzei-me com o Karl Lagerfeld, Daphne Guinness, Juliane Moore, Kristen Stewart, Sofia Coppola, Caroline Magritte ou a Tilda Swinton (entre muitos outros) com quem troquei algumas palavras sobre Portugal. 😉 Que bom é saber que todos eles querem saber mais…

 

 

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Para concluir:

 

Se já antes a frase “We will always have Paris” fazia sentido, agora, para mim tornou-se inesquecível. Esta é uma Paris sem tempo, é eterna e chegou até mim da melhor forma.

 

Agradecimentos:

@chanelofficial and the help of @joaomartinscarvalho
Dress Moschino Couture at @lojadadelia
Bag and Cuffs @chanelofficial
Shoes @luisonofreofficial
Sunglasses Chanel at @andreopticas
Ring @swarovski

@joaomartinscarvalho
Dress #AlbertaFerretti at @lojadadelia
Shoes @luisonofreofficial
Bag @chanelofficial
Pearls necklace @chanelofficial

 

Mais imagens no meu instagram : https://www.instagram.com/raquelpratesblog/

4 Comments
  1. Belíssima reportagem sobre o acontecimento, tão boa que senti as atmosferas descritas, bem como a actuação das diferentes personagens, e até a presença viva de mademoiselle.
    Obrigada pela partilha e, last but not the least, Portugal não poderia estar mais bem representado.
    Parabéns por tudo, pois.

  2. Por instantes, senti que também estava presente! Obrigada pela descrição e por estar tão bem representada, enquanto mulher Portuguesa.

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