Porque é que andamos todos tão zangados?

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Assumo que reconheço os sinais físicos, e por vezes surgem quase do nada, o ritmo cardíaco acelera, a cabeça muda de temperatura, o tom de voz aumenta com a sensação de que as palavras não vão ficar entaladas e até podem soar irracionais, muita adrenalina e depois choro: sim, estou zangada!! Não quero, mas estou. E por isso vou fazer de conta que nada disto me incomodou com um sorriso rasgado durante todos o dia!!!!

 

Não vos trago uma novidade, basta fazer um scroll no feed do FB ou do Twitter para perceber que a maioria das pessoas estão no limbo entre o zangado e o… zangado.

Um estado que normalmente está mascarado, disfarçado… “porque o dia até está a correr bem” e de repente lemos os títulos das notícias e a cabeça parece que vai explodir… voltamos a estar zangados.

 

O facto de estarmos zangados até pode ter consequências positivas, porque é um sentimento poderoso e pode ser construtivo (pasme-se!!). Um estudo realizado este ano refere que o truque é aprender a separar aquilo que controlamos e podemos mudar ou alterar para melhor, daquilo que realmente nos é atirado para os olhos e que é incontrolável. Por exemplo o facto de nos sentirmos zangados com “algo”que reconhecemos como negativo, pode ser uma motivação extra para alterar esse “algo” como um objectivo a cumprir pela positiva.

O tempo de reacção também é importante, por exemplo, ao receber aquela resposta que esperava cheia de ansiedade? Ela chega e é negativa. Desligue e responda no dia a seguir, agradecendo a oportunidade e mostrando disponibilidade para novos projectos.

 

Mas voltamos ao inicio … porque andamos todos tão zangados?

 

O nosso cérebro não está preparado para este constante click click click que exponencia a zanga, com notícias que não são saudáveis ou positivas, e conseguimos encontrar mais conflitos de opiniões em menos de meio minuto, do que filósofos ancestrais em anos e anos.

Pior … ficamos colados, para “observar” até que ponto vai atingir aquela troca de palavras dos outros, e no meio de tudo, entre opiniões, recados e ofensas, a nossa zanga interior vai aumentando. Somos “meros” espectadores. No final deste tempo (perdido) estamos com o sistema nervoso profundamente sensível, e abdicámos de fazer outras “coisas” que nos fazem (mesmo) felizes.

E na equação nem estou a colocar o problemas diários “reais” como os familiares e profissionais.

 O que a maioria das pessoas não sabe, é que este processo, para além de preocupante é também viciante. Quando estamos zangados procuramos constantemente algo que alimente esse estado, até porque a sensação de zanga é um “mix” de sentimentos. Desde a sensação de injustiça, julgamento e a busca constante de aceitação.

Eu já comecei a inverter o processo, quando me apercebi nas férias que era um caminho a evitar, não percorro com as mesma frequência as redes sociais, e evito mesmo alguns meios de comunicação social e pessoas tóxicas (que eu nem imaginava o quanto me transtornavam).

Concluo, constatando que transformar algo, mesmo de forma inconsciente, que já estamos formatados para ser negativo… em positivo, tem sido uma das melhores experiências da minha vida.

 

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