Então Zé Pedro, e agora?

Então Zé Pedro, e agora?

O sol teima em romper os céus, provavelmente porque “vai que já nada teme” com vontade de rir.

É assim que te lembro, nas correrias de bastidores ou num daqueles eventos, aquelas “alegres casinhas” tão modesta como tu. Com a força invencível do só teu costume, e “não vais nada mal”.

Passaste a sensação, nas poucas palavras que trocámos com a Cristina, que não existia limite para o teu amor. Como gostavas de viver, que querias ficar cá, com as pingas de suor a cair nas cordas da guitarra. Isso era paixão, nunca as escondeste… as boas e as menos boas.

Para ti, para nós, sabes quantas pessoas conseguem reunir consensos? De peito aberto, sem medo. Bolas… quase nenhuma! São as raras, as distintas.

Uma lenda do rock que era um senhor, na delicadeza dos gestos e alma de punk. Apesar do passado ficar lá atrás, fizeste parte dele em cada um de nós.
Agora “no outro mundo” talvez não distante como achamos, a história faz-se e existe “um pouco de fé”.

Naquele dia, por pudor, não pedi uma foto nem um autógrafo. Tive vergonha.
Mas lembro-me do prazer que te deu carregar no peito, a corrente com a medalha em aço de palavras gravadas: “It´s only Rock and Roll” e eu acrescentaria “never dies”.

Homem do leme, faz uma boa viagem.

 

Imagem de Carlos Ramos

No Comments Yet

Leave a Reply

Your email address will not be published.