Não gosto de fazer balanços, mas este ano foi talvez a primeira vez que a minha balança rodopiou de tal forma que mais parecia um carrocel.

Faltam uns dias para o Natal, outros tantos para a passagem de ano, e depois outros (muito poucos) para os meus 42 anos.

Não gosto de fazer balanços, mas este ano foi talvez a primeira vez que a minha balança rodopiou de tal forma que mais parecia um carrocel. Uma balança de extremos sem me permitir ter um estrada larga, com a vista para o horizonte a revelar-se longínqua. Neste ano, a estrada transformou-se em rolos de linhas, entrelaçadas, de curvas apertadas, apontadas para cima ou para baixo, e nas várias cores gritavam por decisões imediatas. Sempre de repente e com carácter de urgência.

Agora, que estou a uns dias, de abandonar 2017, e a acreditar que pelo menos o início de 2018 (isto de mudar tudo de 31 para 1 é uma valente treta) assim se vai manter, estou ciente e feliz que aprendi muito num só ano. Confesso, muito mais do que gostaria. Sim, era necessário, mas não estava preparada.

Após a recolha da informação (que teve uma grande triagem) os monólogos ajudaram a ultrapassar cada uma das dúvidas, e desta vez sem ser na velocidade dos outros, mas na minha. Com o meu compasso de tempo desfasado, sem outros relógios, que corriam somente pelos seus próprios ponteiros conforme lhes dava jeito.

Sim, desta vez, disse o que tantas vezes calei para não incomodar, ou porque era censurável. E outras tantas disse que não, porque há limite, que apesar da minha tolerância já não permito que se ultrapassem. Claro que caí várias vezes, tantas quantas as que me levantei. Hoje… parecem vezes sem conta, e disse-o em voz alta também. Ganhei calo com essas rasteiras, e uma memória diferente de quem me colocou propositadamente o pé para escorregar. Felizmente que também estão “resolvidos”.

Percebi rapidamente que a maioria das pessoas são excelentes juízes em relação à vida dos outros e péssimos advogados da sua própria índole (principalmente quando dão um passo maior do que a sua perna, e não têm humildade para o entender).

Abracei desconhecidos, disse a quem devia que os amava, perdoei de coração aberto, estive (ainda) mais atenta e quero uma distância confortável em relação a tantos outros.

Tomei decisões somente por mim, e para mim. Sem mascarar, fingir, omitir, disfarçar, sem um fundo oco, e com a consciência que podia não “agradar” a todos. Porque, por cá, é tão fácil agradar, não ter opinião, não acreditar, não tomar uma posição…

Acho que este ano, foi uma oferta, e das boas. Somei todos os afectos… e senti.

Este foi o meu ano.

 

Imagem de Andy Dyo

Vestido de Eduardo Amorim e Botins Masqué na 39A Concept Store.

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