Nos últimos tempos têm-me colocado de variadíssimas formas uma pergunta que se resume: os 40 são os novos 30 (anos)?

Nos últimos tempos têm-me colocado de variadíssimas formas uma pergunta que se resume: os 40 são os novos 30 (anos)?

Evidentemente que existe uma nova consciência do que somos e que a vida corre num ritmo que nunca tinha conhecido. Também a nível social e ambiental existem profundas oscilações, principalmente numa fase em que somos exacerbados em informação. Assumo que mais de 90% desta nova realidade eu ainda questiono, sem nunca a colocar em causa.

No meu caso, dediquei-me ferozmente aos compromissos profissionais, e se já antes não era uma pessoa facilmente sociável (passei grande parte do tempo a olhar para esses extras como trabalho). Terei descurado as minhas amizades? Talvez, mas não serei juiz desta equação, pois a verdade é que sempre estive lá quando era preciso, mas reconheço que a amizade é também estar presente sem justificação alguma.

Na realidade quando existia um novo encontro entre amigos, e porque passava muito tempo sozinha, passei a ter alguma ansiedade social.

A primeira pergunta era imediata: O que tens feito? A resposta automática: Trabalho. Segunda pergunta: Mas trabalhas tanto, porquê? Para esta também tinha sempre a resposta na ponta da língua: Porque gosto.

(No entretanto já tinham acontecido nascimentos de crianças, novos namorados e divórcios pelo meio. E eu, nunca me tinha apercebido.)

A verdade é que não gosto assim tanto de trabalhar (exageradamente), continuo fascinada pela ideia de conceber e concretizar projectos, ideias e ideais (mas acho que isso nem é trabalhar, é viver). Sobre o não gostar, assim tanto, de trabalhar… Tem sido um trabalho árduo (desculpem a redundância) , mas é como as frases que começamos a dizer a medo, baixinho e que depois, quando ganham forma, parecem quase um grito.

A realidade é que atrás dos #lifegoals sacrifiquei demasiado da minha vida, e honestamente sem uma compensação proporcional, todos os nossos sacrifícios também penalizam os que nos são mais próximos.

Agora, que me sinto quase na mesma, mas parece que a criança entusiasta já conhece a mulher que começa a ser adulta, tenho vinda a adquirir a consciência de que é obrigatório visitar alguns dos espaços que considerava “ridículos”.  Exemplos há muitos, tudo coisas via “Guilty pleasures”, alguns mesmo “kitchs”, nem me atrevo a nomear 😉 … mas claro que os anos 80 foram pródigos, e eu não me esqueço dos seus sons e da dança. O que eu adoro dançar! Isto até parece uma versão oposta ao cool, mas há melhor do que um bom vinho numa casa quente com amigos aos gritos a mudar sucessivamente a playlist? Desculpem mas, é mesmo do melhor.

Há quanto tempo que realmente nos sentimos livres sem os dead-lines às costas? Podem dizer que há sempre o Nolotil e os ansioliticos para apaziguar a manhã e o dia seguinte, também o goronzan (sim, as ressacas não são para “meninos”).

Mas a realidade é que tudo me parece mais simples e dependente de nós, não são precisos exageros, mas uma outra atenção.

Talvez tenha sido sempre assim, mas do que é que estava mesmo a falar? Ah dos 30 anos!! 😉

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