Quem é Halima Aden, a primeira mulher de hijab na capa da Vogue?

Tem 20 anos, chama-se Halima Aden, e é a primeira modelo de hijab (véu islâmico com que algumas mulheres cobrem a cabeça) na capa da Vogue Britânica.

“É agora. É o momento certo para seres tu mesmo. 2018 é o ano do fortalecimento feminino, é a geração de mulheres inspiradoras. Estamos finalmente a dar valor à nossa voz, de todas nós, independentemente de onde vimos, do nosso estilo de vida. É um óptimo momento para se ser mulher”. Assim diz Halima.

 

Tudo começou quando a ex-refugiada recusou remover o seu hijab no concurso Miss Minnesota USA de 2016. Foi isso que a lançou para as principais ligas da moda – Halima faz questão de desafiar as normas da indústria desde o primeiro dia. Depois do concurso, uma agência (IMG) quis entrar em contacto com a jovem modelo e desde início se estabeleceram as condições: manter o hijab em todos os momentos, usar roupas que não revelassem nenhuma pele. Assim foi.

“Lês uma revista e é raríssimo encontrares alguém que tenha o mesmo histórico que tu. Sou muçulmana mas nada tenho que ver com o ISIS. Na nossa comunidade há mulheres médicas, advogadas, mulheres incríveis que deviam ser celebradas e admiradas. Nunca tivemos alguém na moda”, conta Halima à Vogue Britânica.

E acrescenta: “Cresci num campo de refugiados e isso ensinou-me que podemos ser despojados de tudo – de título, de privilégio, de dinheiro. A única coisa que nunca vamos perder é este sentido de comunidade. Sempre fui muito sociável, dava-me com todos. Quando cheguei à América isso mudou. Ninguém falava comigo. Mas era tudo assim, porque eles não agem em comunidade. Estão divididos em grupos pequenos… E isso fez-me imensa confusão”.

Numa entrevista em que se falou de Trump e sonhos, a modelo assume: “Quero voltar ao acampamento. É importante que aquelas pessoas vejam com os próprios olhos que é possível. Quero mostrar-lhes que já estive do lado delas e que cheguei onde cheguei. Lutei por um sonho além fronteira. As crianças do acampamento não sabem o que isso é, não sonham. Na idade delas eu também só sonhava com coisas reais – que a minha mãe fosse feliz, que houvesse comida… Elas têm agora que aprender a sonhar mais alto e eu quero ser a pessoa que lhes incute isso”.

Uma lição de vida, não acham?

 

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