When I grow up.

 

Há estações, tímidas, que escondem e por isso têm outros encantos, e outras que mostram.
Mostram tudo num, quase, eterno e exuberante espreguiçar.
O Verão mostra e tem a sabedoria de nos mostrar subtilmente as melhores memórias, as de cada um.

Branco cal e uma laje de pedra quente sobre o mar, corpos, pequenos que marinham com movimentos jovens e alegres.
Sempre acreditei, que um dia, quando crescesse iria viver numa casa na praia. Hoje percebo todas as analogias que abraçam, ternamente, este sonho.
É como um feitiço que me faz recuar alguns anos, para que apesar de tudo, os dias se tornem sempre bons.
A areia que teima em não descolar do cabelo salgado sob a luz do final de tarde sem horas. Mais tarde percebi, também sobre o sol de Verão que despontava, sem destinos, quando tudo pode acontecer. Essa liberdade de arrepio no estômago na primeira dentada da melancia e das cerejas da minha infância, que transborda o sumo para as mãos pegajosas, quase meladas. O adormecer com os olhos ardentes, a picar, outra vez a água, a água do primeiro vento frio, e sentir a toalha a cair sobre o corpo. Acordar na sombra da escarpa carregada de gaivotas. A preguiça. Procurar as sandes no fundo da lancheira. Sede. Pacotes de sumo.

Tantos sorrisos dentro de mim, que me sinto cheia. Risos. Muitos. Com a luz de fusco e o cheiro a citronela por causa das melgas. A noite, luares debruçados e os paladares de bruços sobre a mesa.
Contar histórias, do ontem, do hoje, desfrutar dos sabores com a mesma intensidade, do mesmo tempo, tão recente e teimoso que por birra não se solta de nós.
Os verões. Da cor azul e laranja intenso. As pegadas de resina que vincam o trilho do pinheiro de grande idade. Os cavalos das paixões antigas que galopamos só em um. Pisamos o feno com a sincronização perfeita.
A divisão das tarefas, a simplicidade das coisas, como sempre foram. Acompanhar o crescimento daquela flor pela janela.
Acordar cedo ou tarde … não interessa.
Sucumbir ao cansaço. Permitirmo-nos a isso.

E tenho saudades.

Dos pirilampos, cigarras, louva-a-deus. Dos corpos castanhos das mulheres em topless em contraste com os bikinis neon. Da bola de Nívea. Do cheiro a Caladril. Dos brindes que soltavam dos aviões. Da pele a descascar pela terceira vez no nariz. Das sardas que voltavam a mascarar o rosto. Dos respiradores, e barbatanas.

Dos cremes às cores em horizontal e os meus cabelos loiros queimados pelo sol.

Ainda dizem que os 80 estão na moda.

Onde? Que eu volto lá.

Quando se ama, se gosta, se vive.
Deveria ser sempre a nossa estação. A minha… O Verão.

 

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