Nunca fui de despedidas.

Nunca fui de despedidas. Principalmente quando se trata da estação em que não domestico as minhas emoções. Esta não é uma história entre a realidade do exterior e o real do interior. É um excerto do meu caminho que muito provavelmente só tem importância para mim. É um tempo oportuno onde o medo não toma conta de mim, a sombra não me acompanha à noite, o não dito ganha voz, o escondido deixa de ter lugar.

Não sei se tenho o direito de usar estas palavras ou estarão reservados só para alguns, mas corro o risco.

Sempre vivi com o imprevisível, habituei-me facilmente à sua presença por isso surpreender-me com as vulnerabilidades e capacidades era difícil. As minhas e as dos outros. Sempre os reajustes e equilíbrios que consideramos necessários para sobre(viver) numa sociedade cada vez mais volátil. 

Até há pouco tempo, era assim. 

Mas nestes dias, na estação de todas as emoções, algo aconteceu. 

Perdi a data e o tempo, aquele que contabilizo ao segundo na ansiedade da vida quotidiana. 

E eu sabia que um dia nos iríamos reencontrar.

Eu.

Aquela sensação de não querer saber, suponho que só sentida quando somos crianças como um pacto de dedo mordido e sangue misturado. Uma substância que faz estremecer os músculos e esvazia a cabeça. Impulsos pedidos. Atrações de movimentos internos que se reconhecem no espaço de uma vida. 

Da minha vida.

Qualquer coisa nos meus ouvidos em sussurro. Com uma fugida de sorrisos que vibram em uníssono. Nada me pode fazer mal agora.

Eu.

Uma emoção sem pudor em mim que se encontra, junta-se, instala-se, e deixa riscos cravando-se. Esta palpitação inesperada que é difícil de colocar em palavras apareceu e desapareceu em ocasiões inesperadas, e fez-me relembrar o que sabia existir mas que com o tempo vou esquecendo. 

A água salgada que ainda não encerrou a pele gretada dos meus lábios foi testemunha.

Os cavalos com a sua sabedoria implícita, calma, veloz e livre foram os meus professores.

A terra enterrada nos pés não me fez sentir só.

Este sulco no coração. 

Sinto os sabores e cheiros de cada segundo na pauta escrita à mão. 

A cicatriz ficou por coser.

Por favor, fica perto até à próxima estação de todas as emoções. 

E eu sei que temos um encontro marcado. 

De mim para mim.

 

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